quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

YITRÓ - JETRO


YITRÓ - Jetro

Êxodo : 18: 1 a 20:26
Isaías 6:1 a 7:6 e 9: 6 e 7
Mateus 3:13 a 17 e Atos 1: 1 a 2: 47

"Jetro, sacerdote de Midiã, sogro de Moisés, ouviu todas as coisas que Deus tinha feito a Moisés e a Israel, seu povo; como o ETERNO trouxera a Israel do Egito." (Ex. 18:1)

Esta PARASHÁ é um grande tesouro de Deus para nós,  é uma grande aula  a respeito de AUTORIDADE ESPIRITUAL.

Será que O GRANDE MOSHÊ RABEINU, (Moisés o nosso mestre), era um homem sujeito à Autoridade de alguém? Será que ele tinha de dar satisfação a alguém sobre o que Deus falava ou fazia com ele? Para quem um homem tão grande, poderoso e de sucesso como Moisés, prestaria contas?

Muitas pessoas que receberam uma direção de Deus, infelizmente tornam-se orgulhosos e entendem que não precisam mais dar satisfação de seus atos a ninguém, já que receberam algo diretamente de Deus. Quantos pastores já ouviram a famosa frase: - "O Meu tempo neste ministério acabou, pois Deus falou comigo!"  

Verdadeiramente Deus tinha falado com Moisés, mas, a lição de submissão que aprendemos do Libertador de Israel é uma Luz de Deus contra as trevas do orgulho e da auto-suficiência, engano de tantos...

Vamos voltar um pouquinho atrás, num texto quase desapercebido da PARASHÁ SHEMOT.

(Deus falou a Moisés): "Toma, pois, este bordão na mão, com o qual hás de fazer os sinais. "Saindo Moisés, voltou para Jetro, seu sogro, e lhe disse: Deixa-me ir, voltar a meus irmãos que estão no Egito para ver se ainda vivem. Disse-lhe Jetro: Vai-te em paz."  (Êxodo 4:18)

A primeira coisa notável, no relacionamento entre Moshê e Yitró (Jetro), é que Moisés, verdadeiramente o reconhecia como alguém importante e sobre quem não só buscou e achou abrigo, mas, demonstrou respeitar profundamente, já que durante 4 décadas, tornaram-se tão amigos. Jetro foi quem abrigou Moisés, lhe deu por mulher sua filha Tziporah, além de trabalho e proteção.

Moisés muito diferente de alguns jovens e outros tantos doentes no meio cristão, não buscou seu líder para dizer: - "Deus me disse isso ou aquilo e eu vou fazer", ou "nós temos que fazer", ou ainda "você (pastor, líder), tem que fazer..."

Moisés sequer ousou falar que Deus tinha lhe dito qualquer coisa. Ele talvez respeitasse a maneira de Jetro ser e não lhe confrontou, buscou no entanto sua aprovação, seu aval, sua bênção.

"Vai-te em Paz!" - Foram as palavras de seu sogro, lhe abençoando.

Quando David foi matar a Golias, Saul também o abençoa dizendo: "Vai-te e que O Eterno seja contigo!"

Deus não havia ungido a David? Deus não havia falado com Moisés? SIM! CLARO QUE SIM!

A submissão destes ícones, da história do povo de Deus, às autoridades espirituais as quais Deus lhes submeteu, demonstram a importância deste princípio tão nobre. Toda autoridade provém de Deus, e quando uma pessoa se submete à autoridade sobre ele constituída é promovido para que possa exercer autoridade sobre outros... Em alguns casos sobre muitíssimos outros, a exemplo de Moisés e de David.

Moisés vai para O Egito sozinho, com o seu bordão apenas, mas, algum tempo depois volta de lá com cerca de DOIS MILHÕES DE PESSOAS atrás dele. Eram O POVO DE MOISÉS, os escravos a quem ele foi libertar...

O REENCONTRO

De um lado Moisés, observado por seu povo, o Grande Libertador de Israel, o Líder Supremo do Êxodo. Vindo ao seu encontro um velho, que vem pelo caminho sozinho, conduzindo a mulher e os filhos de Moisés... Como MOSHE se posicionou diante de YITRÓ tornou-se um exemplo para nossas vidas e para a Igreja de Cristo!

1 - Moshe se prostra diate de seu sogro.

Como escrevi, atrás de Moisés havia dois milhões de pessoas olhando para o seu grande líder e imaginem só o que eles pensaram quando viram O Libertador do Egito prostrar-se diante de seu sogro. Talvez, tivessem se perguntado: - "Quem é este homem tão importante a ponto do grande Moisés se curvar diante dele?" A Autoridade Espiritual a quem Moisés se submetia!

2 - Moshe dá relatório de tudo o que havia realizado para libertar o povo do Egito.

Claro que não descartamos a ideia que não tenha sido uma prestação de contas, mas, o compartilhar de todo bem que Deus fizera a Moisés e ao seu povo com alguém tão importante para ele, mas, este fato não é isolado e portanto precisa ser visto no conjunto de tudo o que ocorre nesta Porção da Torah.

3 - Jetro reconhece que O Eterno é maior do que os outros deuses.

A pessoa a quem Moisés se submetia declarou: "Agora sei que O Eterno é maior que os outros deuses" - AGORA?!!!! Quer dizer que até então ele não sabia? Não cria em Deus, não considerava O Eterno, Deus de Moisés maior do que todos os deuses? 

Não! Jetro, sacerdote de Midiã, não tinha uma experiência com O Eterno. Lembremos que Moisés se quer disse que o "EU SOU O QUE SOU", havia lhe falado, mas, ainda assim, Moisés foi submisso ao seu sogro ANTES DA FAMA, como também depois de tornar-se FAMOSO.

4 - Jetro oferece sacrifícios e holocaustos a Deus.

É muito comum no meio cristão, quando se celebra um aniversário, ainda que na casa de alguém ou num buffet, o pastor, ou a autoridade espiritual de maior nível ou maturidade presente, faz a oração pelo aniversariante. Assim se dá em almoços, festas, etc... 

Não é que Moisés deixou o seu sogro Yitró, diante do seu irmão Arão (que seria o futuro Sumo Sacerdote), e diante de todo o povo oferecer sacrifícios para Deus? 

Jetro, que acabara de reconhecer que O Nosso Deus é maior que os outros deuses, diante de todo o povo, diante de sua familia, dos anciãos de Israel, ofereceu sacrifícios, porque Moisés lhe permitiu ocupar um espaço, que ninguém teria dúvida que seria apenas dele.

5 - Jetro supervisiona o trabalho de Moisés.

Não sei se já teve a oportunidade de estar escrevendo algo num computador e alguém lhe "supervisionar" (ficar te olhando por cima dos ombros para ver o que você está fazendo). Se normalmente erramos algumas palavras e temos que voltar e voltar para corrigir, quando há alguém olhando a tensão nos faz errar muito mais. 

Pois de manhã até à noite Jetro ficou observando todo o trabalho de Moisés, sem que este demonstrasse em hipótese alguma qualquer tipo de descontentamento.

6 - Jetro critica Moisés.

Se já não bastasse ficar de olho sobre o tudo o que Moisés fazia, Jetro faz uma dura crítica a seu genro dizendo: - "Não é bom o que fazes!".

Pense, se por muito menos você já não explodiu com algum chefe seu ou mesmo com algum pastor ou líder da igreja. Moisés ouviu pacientemente as críticas de seu sogro, porque Moisés o respeitava como a sua Autoridade Espiritual.

7 - Jetro aconselha Moisés sobre o que ele deveria fazer.

Para não discutir com a esposa, talvez até Moisés honrasse seu sogro, desse relatórios de suas peregrinações a ele; até suportasse seu sogro bisbilhotando sobre seu trabalho, mas, Moisés vai muito além disso em submissão à sua Autoridade. 

TUDO O QUE JETRO diz a Moisés em caráter de CONSELHOS, O Libertador de Israel acata como conselhos vindos da parte de Deus.

Por fim, Moisés despediu-se de seu sogro lamentando sua partida e desejoso de que seu sogro vivesse com ele e com sua nação. É sabido que Jetro é o antepassado dos Druzos, povo que ainda em nossos dias vive em meio do povo judeu, e até serve ao Exército de Israel, já que o relacionamento de Moisés com seu sogro foi algo tão extraordinariamente exemplar. 

É maravilhoso perceber que um relacionamento tão extraordinário, exemplo para todas as gerações dos filhos de Deus, foi abençoado pelo Eterno e  semelhante ao relacionamento de Jonatas, filho de Saul e David, a benção de Deus sobre a amizade de ambos permitiu que na divisão das Tribos de Israel, as tribos destes amigos (mais chegados que irmãos), permanecessem juntas. Assim, permanecem ainda hoje juntos os descendentes de Yitró com o povo que Deus arrancou do Egito, através e Moisés.


O ENCONTRO COM DEUS

Os dias foram se passando e o primeiro dia do terceiro mês chegou. 
O povo estava peregrinando há quase 7 semanas inteiras, e O Eterno tinha algo reservado para o quinquagésimo dia (PENTECOSTES - 50 dias). Ao chegarem de frente ao Monte Sinai, Deus ordenou que Moisés santificasse todo o povo, pois na manhã daquele quinquagésimo dia, a Montanha onde Moisés outrora tinha se encontrado com o Eterno, local em que lhe falou do meio dos espinhos, seria o local do encontro com toda a nação dos filhos de Israel.

Naquela madrugada, o Monte Sinai estava chacoalhando, e em seu topo havia uma nuvem negra com muito fogo, relâmpagos, trovões e vozes. Toda a nação de Israel temeu a Presença de Deus.

Toda a nação preferiu, pela cena aterrorizante que viu diante daquela Montanha, que houvesse um mediador entre Deus e os homens. As pessoas disseram para Moshe, que Ele subisse sozinho, pois temiam a Presença de Deus, não querendo se chegar a Ele.

Moisés diz então ao povo: "ELOHIM BO ABUR NASÁ" - (Deus veio afim de os "elevar" - provar).

É muito curioso ver Moisés dar a ordem para o povo para que não se aproximasse do Monte, pois Deus já o havia advertido. Quando Moisés então sobe, Deus diz para que ele desça de novo para novamente avisar ao povo para que ninguém se aproxime. Moisés contesta a Deus dizendo que já tinha dado tal ordem, mas, o ETERNO insiste e faz Moisés novamente descer e avisar para que não se acheguem... O que parece isso?

Que realmente Deus não queria que as pessoas se achegassem a Ele? O mesmo Deus que criou o homem e o colocou num Jardim que havia plantado no Éden e que na viração do dia, vinha para se encontrar com seu filho, faria isso? Ele não queria que o povo subisse com Moisés ao topo daquele Monte? O mesmo Deus que andou com Enoque, o "EU SOU O QUE SOU", que resgatou o seu povo do Egito com Seu Braço Forte e sua Mão Poderosa, não queria que eles se achegasse até a Sua Presença? Aquele que mandou Moisés ir libertar o seu povo, pois ouviu o choro e o clamor de seus filhinhos, agora não queria que o seu povo conhecesse a Sua Face?

O NOSSO DEUS NÃO É ASSIM!

"Deus veio para os provar", lhes disse Moshê! Deus veio para os elevar. Para que pudéssemos subir de nível! A prova almeja a aprovação e não a reprovação.

A prova busca checar se os alunos entenderam a lição, se eles naquele problema, naquela pergunta que se faz necessário lembrar tudo o que se aprendeu, vão responder de forma correta a ponto de conseguir a nota máxima.

Infelizmente o povo escolheu um Mediador, eles não foram além do risco que Deus estabeleceu. 

Eles era rápidos em pecar contra Deus, como fizeram com o Bezerro de Ouro, aquela abominação, mas, foram tardios em perceber que tudo o que Deus queria é que eles se comportassem como filhos e dissessem: - "Nós não saímos do Egito para termos um Mediador entre nós e Deus. Nós pessoalmente queremos ver a Face do ETERNO e adora-lO!"

A mesma palavra que foi usada na Torah por Moshê, para dizer que Deus "provou" o seu povo, foi usada também quando Deus "PROVOU" Avraham Avinu, lhe pedindo seu filho, seu único filho. 

Deus queria eleva-lo. Deus verdadeiramente o levou a um novo nível de confiança e a Aliança com Deus para sempre foi firmada, quando na PROVA, Abraão foi aprovado!

Yeshua um dia subiu num monte e chamou para aquele lugar alto quem Ele quis. Os que ele chamou, foram. Ali foram designados apóstolos do Mashiach, recebendo Dele autoridade para expulsar demônios, curar enfermos e ressuscitar mortos.

Yeshua subiu a um Alto Monte e chamou Pedro, Tiago e João para que subissem COM ELE. Yeshua os "ELEVA" - os "PROVA" - E diante de seus olhos se mostra Glorificado. 

Yeshua no Monte das Oliveiras foi "ELEVADO" aos Céus, e lá disse para cerca de 500 pessoas que o ouviam, que não saíssem de Jerusalém, até que do alto fossem revestidos do Poder de Deus, para que pudessem Lhe ser testemunhas até os confins da Terra. 

Daquele grupo de pessoas apenas 120 foram e se colocaram no HUPERON (Palavra grega para Lugar Alto), Upper Room (inglês), Ha Alliah (hebraico), Cenáculo. Sala no Andar de cima, ELEVADO do nível da rua, onde o Espírito Santo se derramou sobre aqueles 120 homens e mulheres.

Cada uma daquelas pessoas que estavam no Cenáculo, receberam sobre a suas cabeças, línguas como de fogo e passaram a falar das Grandiosas coisas do Nosso Deus. 

A Presença de Deus é para todos!


JETRO E JOÃO BATISTA

Porque destacar o nome de Jetro (Yitró), na Parashá que mostra a outorga da Torah do ETERNO ao seu povo?

Quando Yeshua vai até Yohanam (João Batista) seu primo, filho de Zacarias, para que fosse batizado, vemos o constrangimento de João, dizendo-lhe que não era digno de desatar as correias de suas sandálias e que era Jesus quem o deveria batizar e não o contrário. 

Yeshua por sua vez, demonstra como Moshê que  não há autoridade se não houver submissão.

A absoluto desprendimento de Moisés diante de seu sogro, em respeito e reverência à autoridade que aquele ancião exercia em sua vida, nos ensina até hoje. Não importa quem é o melhor, mais capaz, mais inteligente ou rico, ou qualquer outra coisa. Yitró era A AUTORIDADE que Deus havia levantado sobre a vida de Moshê (PONTO).

João, era aquele de quem diziam os profetas: "ele irá adiante do Ungido" e "preparará O Caminho para O Eterno". 

Jesus vai até João e submete-se porque a autoridade que está sobre João provém do PAI. Esta é a Lição! 

A Autoridade vem de Deus, e então nos submetemos a ela, e com isso adquirimos esta autoridade para que possamos exercer A Autoridade de Deus aonde Ele nos enviar.

MOSHÊ viu O ETERNO e falou com Ele face a face. Seu rosto brilhava quando desceu daquele encontro.

Yeshua, ao sair das águas, viu o Céu aberto e o Pai lhe dizer: Este é O Meu Filho Amado em quem me comprazo, e então o Espírito na Sua Plenitude veio sobre O Filho de DEUS.


Na associação destes fatos, O nome de JETRO, justamente na PARASHÁ que fala da outorga da TORAH no Monte Sinai, talvez nos mostre um Caminho a seguir, um seguro caminho... O Caminho da humildade, da obediência, da dependência de Deus, na confiança nos tempos e propósitos eternos.


No deserto o povo pediu que Moisés fosse o intermediário entre Deus e os homens, mas, estas 120 pessoas, entenderam que só há um intermediário entre Deus e os homens, O MASHIACH que se fez homem, YESHUA, e com esta revelação tão grande, eles PROVARAM (No sentido de "experimentaram"), o que a nação inteira de Israel poderia ter experimentado. Eles porém, quando foram provados, quando Deus os quis "ELEVAR", eles elegeram Moisés para que ouvisse todas as palavras de Deus e relatasse a eles.

No Sinai a nação de Israel disse: "NAASSÊ VENISHMÁ" - "Faremos e obedeceremos". Infelizmente toda aquela geração pereceu no deserto, porque na primeira oportunidade que tiveram trocaram a Glória do Deus incorruptível pela figura asquerosa daquele Bezerro de Ouro detestável. Eles não fizeram o que Deus lhes ordenou. Não obedeceram a Deus.

Não nos cabe a posição de sermos mediadores entre Deus e as pessoas. Não foi para isso que Deus nos chamou. Há muito orgulho, muita vaidade no meio de líderes que insistem em querer aparecer como astros, figuras proeminentes para o povo (de Deus). Quando nos submetemos às autoridades, quando ensinamos o Povo que lá no Alto é o Nosso Lugar. Que Deus não quer falar com as pessoas através de nós, mas, quer PESSOALMENTE falar com elas, podemos viver o melhor do que Deus sonhou para nós.

Aqueles 120 homens e mulheres experimentaram da Presença do Deus Vivo e de lá inflamaram o Mundo todo com o Evangelho do Reino de Deus. Daquele dia até hoje, passaram a falar em muitas línguas, dizendo no entanto, todos a mesma coisa: 

AS MARAVILHAS DE DEUS



KI MITZION TETZSEH TORAH
U´DEVAR ADONAI MIYERUSHALAIM!
(Porque de Sião sairá a Lei e a Palavra do Eterno de Jerusalém!)


Paulo de Tarso, Apóstolo
Igreja Apostólica Betlehem