quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Palestra para Educadores no IV Evento de Educadores da Zona Sul de São Paulo

Eu sou responsável, você é responsável

“De modo que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada,...; se (o teu dom) é ensinar, haja dedicação ao ensino;...” (Rom 12:6 e 7)

Tive um professor de Biologia que não marcou só a minha vida, mas, a vida de muitos de meus colegas, que inspirados por ele tornaram-se cientistas, zoologistas, médicos, mas, sem exceção todos passaram através daquele mestre a influenciar suas famílias e grupos de relacionamentos.

Quando criança, na minha casa não se podia tomar banho até 3 horas depois de se alimentar. Essa crendice popular atormentou minha família, até que nas aulas de Biologia, aprendi sobre os “movimentos peristálticos”, que se interrompidos provocam uma congestão e descobri, que o que pode provocar este mal é a falta de oxigênio, de alguém que possa mergulhar e prender a respiração por algum tempo... Coisa de quem tomava banho em rios... Não para nós “os do chuveiro!” Pronto! Livres da proibição e ao mesmo tempo agentes de transformação.

Este meu professor nos ensinava não para que passássemos de ano, ou num vestibular, mas, para que pudéssemos mudar a vida das pessoas que nos cercavam. Ele falava que há uma responsabilidade dos que tiveram chance de aprender para que pudessem ensinar aos que não tiveram a mesma chance. Ele nos motivava a (com todo o cuidado) ensinar a nossos pais e mães, sobre a prática de um ensino tão excelente quanto o seu. Este professor nos ensinou sobre – RESPONSABILIDADE SOCIAL.

Minha mãe foi proibida de freqüentar escolas, por uma educação machista e ignorante. Foi alfabetizada em casa, por uma professora particular, que mal sabia para ela mesma. Meu pai estudou até a 4 série primária e foi um autodidata em toda a sua vida. Desde que começaram a namorar (eles nos contavam), meu pai demonstrou todo o amor, em ensinar a minha mãe como falar corretamente, e que a escrita não era exatamente, como se fala, havia regras. Minha mãe por sua vez, sempre foi humilde e determinada a aprender. Ninguém hoje em dia imagina que minha mãe nunca freqüentou uma escola, e este exemplo de vida, eu e minhas irmãs carregamos por toda a nossa vida. Alguém com amor e determinação para ensinar e outro com zelo e humildade para aprender.
Nossa casa sempre teve como decoração MILHARES de livros cuidadosamente colocados em estantes por toda a casa. Meu pai, montou desde sua juventude uma imensa Biblioteca, para que seus filhos pudessem ter oportunidades que ele não teve. Tornou-se a pessoa mais culta, e humilde que conheci em toda a minha vida. Assim uma família inteira viu-se envolvida no esforço para desenvolver-se no SABER, e com zelos de uns para com os outros no ensinar.

Meu pai ensinava minha mãe; os dois nos ensinavam (ele pelo exemplo e paciência, ela pela determinação de aprender). Nós os filhos passamos a ensiná-los – Nossa casa tornou-se um centro de estudos, para nossos amigos e colegas...

INFLUENCIANDO A OUTROS
Quando trabalhava numa empresa lá pelos meus 20 Anos, conheci um rapaz, muito simpático, que infelizmente falava muitas coisas erradas, embora fosse um rapaz bonito e muito distinto. Eu insisti com ele duramente para que voltasse a estudar e então ele retornou aos estudos, para completar na época o ginásio que havia abandonado.
Passaram-se muitos anos disto, tornei-me advogado, e nunca mais vi aquele rapaz, até num dia em que ele veio até meu escritório, dizendo que me procurava há muitos anos, já que havia completado seus estudos básicos, formando-se em Administração de Empresas. Ele me contou ainda que fez uma Pós-Graduação em Gestão de RH, área administrativa com a qual trabalhamos juntos e eu o ensinei mais de uma década atrás, e agora ele havia obtido o Título de Mestre, e a tese do Mestrado na área também de Gestão de RH, foi dedicada a três pessoas: Sua noiva, seu orientador no mestrado e a mim, que o incentivara tantos anos atrás a voltar para os estudos. Este meu amigo querido já faleceu, mas, sua vida, é um legado de determinação e superação. E eu me emociono a lembrar que pelo nosso posicionamento podemos transformar vidas.

A VALORIZAÇÃO DA FAMÍLIA

Os vínculos familiares como eu mencionei, usando o meu exemplo familiar, infelizmente não é o que se vê em milhares de lares brasileiros, porém, não podemos procurar substitutos para a família, ou para sua ausência, mas, devemos procurar restaurá-la. A família e seu papel na sociedade.

Alguns precisam ser educados para educar; alguns precisam ser corrigidos para corrigir; alguns precisam ser amados para amar... Em muitos casos ainda há tempo! Precisamos colher os frutos antes que apodreçam...

Mas, se apodrecerem no pé, poderão ao cair, semear o chão e desta morte brotar vida!

- Se infelizmente para alguns não é mais possível voltar atrás, é possível, seguir em frente e escrever uma história diferente.

Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar, e que não cessem os seus renovos. Ainda que envelheça a sua raiz na terra, e morra o seu tronco no pó, contudo ao cheiro das águas brotará, e lançará ramos como uma planta nova. (Job 14:7-9)

Os últimos pensamentos de alguém antes de morrer nunca serão: “eu deveria ter passado mais tempo em meu escritório trabalhando”.
Lord Jonathan Sacks

A CULTURA DOS CÉUS E A CULTURA DA TERRA

O Povo do Livro – Povo judeu – foi cercado por 3 anos e depois os jovens, príncipes, formadores de opinião foram levados cativos, e um segundo cerco lhes foi oferecido: Conheçam nossa língua, conheçam nossa cultura e comam da nossa mesa, e então terão um trabalho aqui na Babilônia.

Sinto-me pessoalmente desafiado a lutar nesta guerra, que é travada veladamente ainda hoje em cada comunidade carente de nossa nação, em que crianças que não conheceram seus pais e não foram criados por famílias estruturadas, encontram em traficantes e outros criminosos, a oportunidade de ganhar dinheiro, de possuir bens de consumo e de alcançarem proteção e poder. Um cerco de facilidades e de oportunidades, depois de um cerco de miséria e medo.
A cultura dos Céus, nos apresenta A Justiça de Deus, e os padrões de relacionamento são celestiais. Firmados em Amor, no Perdão, no Cuidado e na Gratidão.

Edward M. Luz, Cientista social.Universidade de Brasília – usando uma pesquisa do DATA-FOLHA, para contestar alguns pontos do PNDH-3 Plano Nacional dos Direitos Humanos – Citou que 97% da nossa população crê em Deus.

Nos diversos seguimentos religiosos que existem em nosso país, a grande maioria (90% no Senso de 2000) – crê no Deus da Bíblia (cristãos católicos, protestantes, evangélicos e judeus).

Sou contrário ao ensino religioso público, porque possuímos a liberdade de cultuar a Deus e de ser orientados não de forma genérica, por alguém que estudou os principais pontos de cada religião, mas, por pessoas que vivam sua crença religiosa e, portanto poderão ser exemplos para seus alunos. A Bíblia (já que somos brasileiros, e cremos no Deus da Bíblia em nossa maioria), declara: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando for grande, não se desviará dele”. Não se pode dizer a uma criança: Aquele é O Caminho, ande por ele! (Elas não seguirão). Deve-se dizer: Este é O Caminho, ande por ele, como você me vê andar. (Se cumprirá as palavras das Escrituras).

A EDUCAÇÃO É O DIÁLOGO ENTRE AS GERAÇÕES

E estas palavras, ensinarás repetidamente a teus filhos, falando-lhes quando estiveres sentado em tua casa ou quando estiveres no caminho, quando te deitares e quando te levantares. (Deu 6:6-7)

“os egípcios construíram pirâmides, os gregos, templos, os romanos anfiteatros, mas, os judeus construíram escolas. Eles sabiam que para defender um país era necessário um exército, mas, para defender uma civilização é necessário educação. Assim, os judeus se tornaram o povo cujos heróis eram professores, cujas fortalezas eram escolas e cuja paixão era o estudo e o desenvolvimento da mente. Como poderíamos privar nossos filhos desta herança?"
Lord Jonathan Sacks
A CULTURA DE UM POVO QUE CRÊ NO DEUS DA BÍBLIA
Não só o Brasil, mas, o mundo Ocidental tem sua grande influência no culto e na formação judaico-cristã, que gerou a Cosmo-visão da maioria dos países desenvolvidos e que por conta disto passaram a ser importantes agentes de influência e de formação cultural e social por séculos e gerações, até nossos dias.
Baixo esta influência (do ensino para formar as futuras gerações que recebemos do povo judeu), os cristãos também historicamente fomentaram a Educação e o ensino dos princípios de Deus e os cristãos foram responsáveis pela formação das principais universidades do mundo existentes ainda hoje, no início com objetivos nos estudos, do Direito, Medicina, Edificações e Teologia. Surgiram então universidades como a Universidade de Bolonha (1088), a Universidade de Paris (c. 1150, mais tarde associados com a Sorbonne), a Universidade de Oxford (1167), a Universidade de Cambridge (1209), a Universidade de Salamanca (1218), a Universidade de Pádua (1222), a Universidade de Nápoles (1224), a Universidade de Toulouse (1229). Em todas a Igreja foi responsável pelo seu desenvolvimento.
Harvard e Yale.

1640 – Yale – Fundada para os estudos das ciências sob a Bênção de Deus e recebe este nome em gratidão a Eliahu Yale, um judeu que promoveu os recursos para que a universidade fosse mantida nos seu início.

Há uma inscrição em hebraico na porta de YALE: URIM VETUMIM – LUZES PARA PERFEIÇÕES!

Esta nossa vocação de nos esforçar a desenvolver nossos potenciais e de legar o que foi alcançado às futuras gerações, deve-se grandemente aos valores e princípios que nos alcançaram através da Bíblia Sagrada. A Família, principal núcleo da sociedade, é protegida, guiada e orientada pelo Próprio Deus, através de seus ensinamentos. A responsabilidade de formação das próximas gerações, não é um anseio novo, mas, o que foi incutido em nossas vidas, por sermos OS FILHOS DOS PROFETAS... Aqueles que viveriam o fruto de seu desvelo por guardar, viver, ensinar, treinar, capacitar, até que todo este tesouro chegasse até nós.
DOIS PENSAMENTOS PARA ENCERRAR:
“Nunca deixe de estudar. Certa vez, conheci uma senhora de 103 anos que sempre parecia rejuvenescida. Perguntei qual era seu segredo, e ela respondeu: “Nunca receie aprender alguma coisa nova”. Compreendi então que estudar é o verdadeiro teste para reconhecer qual é a nossa idade. Se você continua desejando estudar, você pode ter 103 anos e ainda assim ser jovem; do contrário, pode ser velho mesmo tendo somente 23 anos.”

Lord Jonathan Sacks.


“Não pense de você mesmo, mais do que lhe convém. Somos apenas um elo de uma enorme corrente. O que recebemos de nossos pais e antepassados foi conquistado e guardado por eles à duras penas. Resta a nós, com todo o nosso esforço, guardar tais tesouros intactos, para transmiti-los aos nossos filhos e às futuras gerações. Se pudermos embelezá-los ou enaltecê-los tanto melhor.”
Paulo de Tarso
Paulo de Tarso, apóstolo
Igreja Apostólica Betlehem